quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS MULHERES VALORIZAM RELACIONAMENTOS PESSOAIS. OS HOMENS O TRABALHO.


A sociedade moderna supõe um retrocesso na evolução humana. Milhares e milhares de anos vivendo segundo os papéis tradicionais tem feito os  homens e as  mulheres atuais se encontrem com uma estrutura cerebral inadequada para os tempos que correm que causa  a maioria dos problemas e mal-entendidos entre os parceiros. Os homens sempre tem valorizado a si mesmo por seu trabalho e conquistas, e as mulheres pela qualidade de seus relacionamentos. O homem, ao longo da história, tinha a obrigação, para garantir a subsistência - de casar e resolver os problemas que surgiam. A mulher era a defensora do lar e sua principal função era garantir a sobrevivência de seus filhos. Todos os estudos que se tem realizados sobre os valores femininos e masculinos nos anos noventa continuam mostrando que entre 70% e 80% dos homens dizem que a coisa mais importante na vida é o trabalho, ao contrário das mulheres que consideram que a família  é primordial. Como conseqüência:


Se uma mulher é infeliz em seus relacionamentos pessoais é incapaz de se concentrar no seu trabalho. Se um homem está insatisfeito com seu trabalho, não pode concentrar-se em seus relacionamentos pessoais. 

Em situações de estresse ou de pressão, uma mulher contempla falar com seu parceiro como uma recompensa, enquanto um homem a observa como uma interferência em seu processo para resolver o problema. Ela necessita falar e que lhe abracem. Ele quer estar sentado em uma pedra e olhar pensativo o fogo. Para mulher lhe parece que o homem é insensível e que não mostra o menor interesse nela  já para um homem ela lhe parece pesada e pedante. Estas percepções não são mais que um reflexo das divergencias quanto a organização e prioridades de seus cérebros. Por esta razão, as mulheres sempre dizem acreditar que para elas é mais importante sua relação pessoal que para eles e estão certas. Se entender estas diferenças, vão evitar muitas situações de estresse entre você e seu parceiro, e evitar julgar criticamente o comportamento do outro.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Psicoterapia na linha psicodramática? O que é isso?


O que é psicodrama?

É um método de investigação e tratamento de problemas psicológicos criado pelo médico romeno Jacob Levy Moreno no princípio do século 20. “Ele reúne em sua base teórica elementos do teatro e da psiquiatria e tem como recurso de ação a dramatização”, afirma a psicóloga e psicodramatista Stela Fava, diretora de ensino e ciências da Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap). Formulado para ser trabalhado em grupo, dentro de um enfoque terapêutico ou educacional, o psicodrama foi inicialmente dirigido a pacientes com comprometimento psiquiátrico ou emocional, que eram incentivados a representar peças com textos improvisados. Moreno acreditava que a dramatização era o método por excelência para se resgatar a espontaneidade e chegar ao autoconhecimento. “O corpo é uma peça-chave, pois, de acordo com a técnica, os pensamentos e as emoções se expressam em atos organizados e representados no palco”, diz Stela. Para Moreno, o jogo dramático possibilita que o indivíduo entre em contato com seus conflitos, que antes permaneciam no inconsciente. Durante as sessões de psicodrama, os participantes são estimulados a expressar livremente as criações de seu mundo interno, seja na produção mental de uma fantasia concretizada em cena ou numa determinada atividade corporal.

 Psicoterapia na linha psicodramática? O que é isso?
Quando um comportamento natural sofre um bloqueio (pode ser uma barreira física, uma deficiência pessoal ou um conflito de comportamentos motivadores), gera a frustração. Isto pode resultar em respostas agressivas, regressão, apatia, depressão ou intranqüilidade.
Uma forma comum de reação é evitar as situações causadoras de frustração.
Os psicólogos formulam questões e desvendam princípios sobre a conduta dos indivíduos para descobrir a relação do comportamento com as situações, condições e outras condutas.
O psicodrama trabalha através de sonhos, sensibilização corporal, dramatizações de situações do dia-a-dia, construção de histórias familiares etc, sendo possível sentir como é visto pelo meio social em que vive e tomar consciência de como o individuo vem agindo nesse meio.
Pode, então, promover as mudanças desejadas de comportamentos, adquirindo maior confiança e segurança.
A psicoterapia clareia e conscientiza o objeto de busca na medida em que norteia o individuo sobre as faltas externas; ajuda a conscientizar sobre o medo de mudar, de correr o risco do novo e desconhecido, entender as frustrações; possibilita a orientação adequada e aceleração sistematizada do processo de busca, recuperando a criatividade e espontaneidade.
A dramatização terapêutica leva a algo mais do que a mera repetição de papéis, tais como são desempenhados do cotidiano. A ação dramática permite insights profundos por parte do paciente e/ou do grupo a respeito do significado dos papéis assumidos durante a vida.
Para o psicodrama, toda ação é interação por meio de papéis. Assume-se, no decorrer da vida, papéis para cada situação enfrentada: Pai, Mãe, Filho, Chefe, Empregado, Marido, Esposa, Professora, Aluno, Amigo, Forte, Sensível, etc.
Uma das maneiras de compreender a si mesmo e ao outro é procurar entender a forma de comportamento assumido em cada papel.
PSICODRAMA
- Um pequeno resumo
Foi criado pelo psiquiatra Jacob Levy Moreno, aluno de Freud.
Um de seus primeiros trabalhos foi com um grupo de prostitutas, quando utilizou técnicas grupais. Depois trabalhou em um campo de refugiados tiroleses, observando as interações psicológicas. 
Fundou, em 1912, o Teatro Vienense da Espontaneidade, onde começou a formar suas idéias da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama.
O grande ato público de Moreno foi no Teatro Komödien Haus. Ao abrir a cortina, havia uma coroa numa cadeira de veludo, espaldar alto e dourado, como um trono real. Seu público era da população de Viena pós-guerra. O tema utilizado por ele era a busca de uma nova ordem de coisas, procurando no público os que tivessem espírito de liderança,sendo o rei por algum momento, no qual o júri seria o resto da platéia.
A platéia na época, não teria aprovado nenhum dos candidatos a rei.
Jogo Dramático, utilizado pela terapia do psicodrama, tem como objetivo permitir uma aproximação terapêutica do conflito. A cena dramática é aquela que expressa algum conflito; sem conflito não há dramaticidade e a cena é vazia, segundo o teatro. Propicia ao indivíduo expressar livremente as criações do seu mundo interno, realizando-as na forma de representação de um papel, pela produção mental de uma fantasia ou por
uma determinada atividade corporal.
O Psicodrama pode ser Individual com Egos Auxiliares. É uma das modalidades de psicodrama em que pode se utilizar pessoas para assumirem os lugares dos personagens que o cliente solicita.
O Psicodrama Bipessoal é o atendimento do cliente somente pelo terapeuta, onde o processo psicoterapêutico desenvolve-se na relação dois a dois e as dramatizações são feitas, freqüentemente, utilizando-se de almofadas ou blocos de espuma no lugar dos Egos Auxiliares.
O Psicodrama Grupal possibilita ao cliente lidar com sua intimidade frente a um público numa relação mais próxima das relações da vida real, diminuindo a distância entre o vivenciar terapêutico e o vivenciar real.

T E A T R O  E S P O N T Â N E O ou T E R A P Ê U T I C O
O Teatro Espontâneo ou Terapêutico é a representação de histórias do cotidiano dos participantes. De forma terapêutica, aprende-se compartilhando essas histórias, elaborando os conflitos, etc.
Os Participantes iniciam um aquecimento e começam a fornecer temas, que podem ser momentos vividos ou observados.
O grupo elege o primeiro tema para ser dramatizado. O script da cena é criado pelos participantes, que também atuam na peça conforme forem surgindo os papéis.
 
Bibliografia: Lições de Psicodrama - Gonçalves, C. Salles; Wolf, J. Roberto; Almeida,W. Castello de; Ed Agora.

8% DOS JOVENS PODEM CHEGAR A SER UM VICIADO) AS TIC


Cerca de 8,1 por cento dos jovens entre 18 e 34 anos tem risco de convete-se em adictos das novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC), segundo o estudo "da Impulsividade e da dependência: dependência de novas tecnologias ", dirigido pelo Presidente da Associação Espanhola de Psiquiatria Privada (ASEPP), o Dr. Salvador Ros.
"O perfil da pessoa viciada a estas novas tecnologias é geralmente um jovem, urbano, com conhecimento em Inglês e padrão de gerenciamento de computadores, profissão liberal e classe média-alta", diz este especialista.
Até o momento, cerca de três por cento dos jovens entre essas idades é viciado em TIC, segundo o estudo, o que torna os especialistas a alertar que este fenômeno pode afetar o desenvolvimento e saúde mental de adolescentes e que pode gerar uma enorme demanda por cuidados de saúde, se não detectado precocemente.
Neste sentido, os psiquiatras recomendam que, se a criança tem um mau desempenho ou insucesso escolar, irritabilidade, perda de interesse em atividades que realizava anteriormente, distúrbios do sono ou distanciamento de familiares ou amigos, pode esconder um caso de vício a TIC.
"Crianças e adolescentes que deixam de comer com a família ou, se forem, eles passam o tempo todo jogando, devem alertar-nos e nos fazer pensar na possibilidade de um quadro de dependência", argumenta o psiquiatra Alfonso Sanz Cid.
Este especialista salienta que "ao contrário do que acontece com outros padrões de abuso, como álcool ou drogas, não se está dando a importância devida." Desta forma, acredita que a sociedade ainda não está consciente do "grave risco" que implica essa dependência.
"O problema é que este tipo de transtorno não causa danos físicos, acontece que só consultamos um médico apenas em situações extremas, quando os jovens desenvolveram um comportamento muito perturbado, onde a dependência é agora  só um elemento mais dentro de um quadro de mais gravidade", argumenta.
Por sua parte, a psiquiatra Laura Fernando, salienta a importância da detecção a tempo e do tratamento emocional precosse deste tipo de dependência. "Corremos o risco de jovens que não conseguiram amadurecer e se adaptar a situações que têm ocorrido em sua vida por causa de seu isolamento, nem quando eles atingirem a idade adulta e, portanto, não são capazes de assumir a responsabilidade ", diz ele.
FONTE: Europress

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

CLIMATÉRIO E A IDENTIDADE FEMININA



Todos os caminhos que levam ao envelhecimento da mulher passam pela menopausa e suas dores. Dores essas que são sentidas de forma diferente por cada mulher, mas que trazem um traço comum – a necessidade da redefinição da sua identidade feminina.
Não, esta não é uma questão nova para a mulher, nem exclusiva do climatério. Em todas as fases em que as mudanças levam a uma alteração corporal, afetiva ou social do papel feminino, a sua identidade entra em cheque e o sofrimento acompanha, em alguma medida, essas transformações. No presente trabalho, nos centraremos nas fases esperadas em que o desenvolvimento hormonal retroalimenta modificações em outras áreas, dando especial atenção ao climatério.

ALVORECER
A menarca é como o alvorecer, quando o céu é tingido de azul e amarelo. A terra está molhada, cheira a umidade e orvalho. As formas , antes imprecisas, se distinguem e tudo pulsa, vibra, anseia, interroga e responde ao nascer e renascer. É a adolescência em toda a sua plenitude, beleza e movimento. O feminino, impulsionado pelos hormônios, tinge de sangue (vida, menstruação) aquele céu e vai acrescentando os tons róseos que irão definir aquela manhã de verão.
As crises da menarca podem alterar a relativa placidez deste quadro, resultando, por exemplo, em infantilização , dependência , timidez ou agressividade, como formas de rejeição ao crescimento. Dores menstruais sem causa orgânica são sinais que revelam a não aceitação das novas nuances do papel feminino neste período.
MEIO DIA
Na fase adulta, a mulher é como o meio dia. O sol a pino torna as formas nítidas definidas, sem sombras. Tudo é claridade, calor, nitidez. Atingiu-se o cume da montanha, divisa-se um grande platô apto a acolher os novos ninhos – a família, o trabalho, os amigos. A mulher parece um sistema pronto a planejar e executar as suas funções com o mínimo possível de desgaste.
Neste período, as crises de identidade são passíveis de modificar todo o panorama. A pessoa pode jamais sentir-se em um platô e sim em um desfiladeiro, com subidas bruscas e descidas vertiginosas. Além da permanência das manifestações adolescentes, podem surgir a TPM, o vaginismo, a dificuldade de engravidar, além de vários quadros de distúrbios psíquicos.

POR DO SOL
O climatério é como o por do sol. O céu exibe nuances de rubro, roxo e negro. Nuvens carregadas no horizonte tentam esconder o sol e ele, em sua beleza máxima, como uma enorme bola de fogo, luta por sobreviver enquanto vai, aos poucos, mergulhando no oceano. Cores e movimento que lembram conflito, tormenta, despedida, ocaso e morte.
Cheira a guerra, desperta sentimentos de drama, de adeus, de cortinas que se fecham.
O dia, que se recusa a ir embora, vai sendo engolido aos poucos pela grande garganta da noite e submerge em sombras. Fecharam-se as cortinas, acabou a peça e todos saem cabisbaixos, com um gosto amargo na boca. Os animais também fugiram para os seus ninhos, com medo dos predadores que estão chegando.
Climatério e crise se confundem. É o feminino que se vai, deixando o vazio em seu lugar. Não sou mais quem fui. Então, quem sou? É cedo para encarar o não-ser, mas a mulher sente-se castrada de tudo que a definiu como fêmea, desde as suas origens. Cessou o sangue, acabou a vida ou transformou-se em seu oposto. Algumas mulheres rejeitam com tal intensidade este novo estado que procuram saída em sucessivas plásticas, a ponto de não mais se reconhecerem no espelho ou parecerem, para os outros, verdadeiras máscaras. Outras se sentem como jovens e buscam sofregamente relações afetivas com pessoas bem mais novas, como se pudessem sugar a juventude do outro e comprovar a si mesmas e ao mundo que não, não envelheceram. E que são, sim, atraentes e desejáveis.
As alterações hormonais da menopausa refletem-se no físico. As mulheres tendem a ganhar mais peso, a ter uma alteração nas formas que as tornam mais "masculinas". A voz torna-se mais grave, os cabelos escasseiam e perdem o brilho, a vagina resseca, os seios caem, o sono se altera para mais ou para menos, acentuando o ar de cansaço nos quais as rugas e as olheiras parecem aumentar a cada dia. Estes fatores são dramáticos em um contexto social que supervaloriza o físico e a juventude. Então a mulher se envergonha de si mesma e pode cultivar sentimentos de baixa-estima e ressentimento ou incrementar esses sentimentos, quando preexistentes.
Os lados inconsciente e fantasmático da mulher menopáusica independem, porém, do novo status da mulher na sociedade. Também não dependem dos desencontros homem-mulher criados por esta nova ordem (ou desordem) social. Poder-se-ia argumentar que a mulher, nesta fase, sente-se só por causa dos conflitos causados por um mundo em mudança, onde dividir e pertencer foram trocados por atitudes paradoxais de isolamento e promiscuidade. Sim, o status da mulher alterou-se e ainda está em plena evolução. Muitos tipos de comportamento são absolutamente novos e as demandas sociais geram pressões que precisam ser atendidas de uma maneira ou de outra. Mas a menopausa reedita crises não superadas, que fazem parte da mulher enquanto pessoa, a despeito do período histórico em que ela esteja inserida. Mudam as formas e as atitudes, mas o conteúdo é semelhante.
O ser humano atualiza, em suas crises, os seus anseios atendidos ou não de apego, suas carências antigas, seus lutos não elaborados. Como as mulheres que conservam traços simbióticos e, por sentirem-se, na menopausa, sós e sem lugar no mundo, desenvolvem uma agorafobia ou síndrome de pânico. A casa na qual se refugiam é a reedição do útero e do colo que a sua solidão, medo e impotência demandam, como uma forma extremada de regressão e dependência.
"Se não sou mais mulher e não posso mais ser mãe, não sou mais nada". É este o sentimento que invade, de forma mais ou menos consciente, a mulher desta etapa, mesmo as que optaram por não serem mães. Este sentimento está na base da "síndrome do ninho vazio" (os filhos cresceram e tomaram os seus rumos), síndrome esta que também pode existir em mulheres que jamais foram mães, ao se defrontarem, no climatério, com a impossibilidade de sê-lo.
Atualmente, muito mais mulheres chegam à menopausa, pelo simples fato de que, antes, morria-se mais cedo. Ao mesmo tempo, as mulheres eram tão "velhas" na menopausa que os desconfortos do climatério eram confundidos com as queixas da velhice. Hoje, como ontem, o agravamento das dores nesta fase devem-se, em grande parte, à dor da perda. E a maior delas, como referimos, é a perda da identidade.
A TRH representa a resposta para muitas demandas inconscientes femininas. Para algumas, é o paraíso – a materialização do sonho da eterna juventude. Para outras, torna-se uma ameaça, rejeitada por razões não claramente explicadas e que dão vazão ao questionamento : a TRH é um remédio ou um veneno? Deixando de lado a parte técnico-científica do problema e pensando nas razões inconscientes que podem levar uma mulher a aceitar – ou recusar – a TRH, ficamos diante de um problema que ultrapassa o efeito químico da medicação : o que representa, para cada mulher, a sobrevida da sexualidade? Por exemplo, para alguém que padece de fortes repressões sexuais, uma vagina ressecada poderá trazer-lhe o mesmo resultado que o vaginismo – uma "porta fechada" para as "obrigações" do sexo e com mais uma vantagem, a de não trazer culpa pela recusa. A culpa é do climatério ou dos riscos da TRH.
Assim, hoje e sempre, mulheres que atingem o climatério, sejam solteiras, casadas ou viúvas (a crise também não respeita estado civil), precisam aprender a aprender a administrar este período ou irão mergulhar na noite, como o sol que se põe. E afogar-se, aceitando a própria destruição como pessoa e como mulher.
O climatério é inevitável para quem chegou a este estágio e também a crise que o acompanha, em maior ou menor grau. Ao mesmo tempo, a crise é uma geradora de energia e toda energia pode construir ou destruir. Ou seja, a crise mostra o caminho da sua própria solução. Repensar o papel feminino é fundamental para que se transponha esse período. Urge criar um novo papel.
A redefinição da identidade implica em uma criação de novas saídas. O sol que se põe pode dar origem a uma nova aurora e não à noite eterna. Nesta aurora, não seremos mais as crianças ou adolescentes que fomos, mas conseguiremos aproveitar a grande dádiva que a ciência, hoje, nos propicia ao dotar a vida humana de níveis cada vez mais altos de longevidade. Isto equivale a viver mais tempo com mais vida, ou com o sentimento gratificante de estar vivo. Equivale a usufruir a sobrevida com sabedoria, auto-respeito e prazer.

Fonte:  Estudos Psicoterápicos Climatério e a Identidade Feminina

Psicooncologia



PACIENTE, SEU CÂNCER E O PSICÓLOGO
O avanço da ciência no tratamento do câncer levou os índices de cura a níveis antes insuspeitados. Os prognósticos são bons e, hoje, mais da metade dos pacientes são tratados com sucesso . Muitos outros poderão desenvolver uma vida produtiva, após o diagnóstico inicial. Cada vez mais, a existência de um câncer é compatível com uma vida profissional ativa, com atividades de lazer, esportivas e sociais.
Os níveis de informação, cada dia mais amplos, revelam que câncer é uma palavra genérica que engloba mais de uma centena de doenças, cada uma delas com graus variados de intensidade e prognóstico.
Apesar disto, ele não é visto, no imaginário das pessoas, como uma doença comum. Ao contrário, carrega uma mística sombria e aterrorizante, como ,em outras épocas, a tuberculose e a peste.
Muitas pessoas evitam falar em câncer, como se pronunciar a palavra trouxesse uma maldição. Usam eufemismos, falam "aquela doença".
Um paciente recebeu o diagnóstico de um câncer de pele perfeitamente curável em pouco tempo. Sua personalidade pré-mórbida frágil não foi capaz de suportar o impacto da notícia. Alí estava ele, olhos vidrados de pavor, fitando o nada. Sim, curou-se do câncer, mas a depressão resultante, não tratada, levou-o ao suicídio.
  • A CRISE
Ao se descobrirem vítimas de câncer,mesmo as pessoas mais fortes e bem informadas são colhidas por graus diversos de angústia, dúvidas e desespero.
Percorrem então, cada uma à sua maneira, fases que podem levar ao enfrentamento e à colaboração ou á desistência.
De início, vem o impacto do susto. O indivíduo sente-se perdido com a quebra de seus planos de vida. Perde as referências, os paradigmas não são mais os mesmos.O futuro é interrogação, incerteza. É um momento de crise, onde a mudança não é vista como crescimento e sim como morte.
Ele está fragilizado, dependente, precisando de apoio. A família nem sempre pode representar essa ajuda, tão chocada ela também está. E é absolutamente necessário que o paciente conte com pessoas nas quais confie. Como ele está regredido, precisa de um colo que o acolha, esclareça as suas duvidas, entenda o seu medo. Que impulsione as suas forças para o trabalho que se inicia. Que substitua e represente a esperança que perdeu.
Este é um momento de extrema delicadeza e que pode determinar a participação do paciente em um programa de tratamento, antes que a angústia venha minar-lhe as forças e muita energia e tempo sejam desperdiçados em lidar com uma segunda doença - a depressão, em todas as suas formas.
Diante do impacto, é freqüente uma reação de negação. O paciente desconhece - nega - a sua doença, com os riscos que isso representa - não posso combater o que não existe. É essencial fazer com que ele ultrapasse esta fase sem perder-se novamente no desespero.
O paciente nega, mas a realidade se impõe. Aí vem a ira, com o seu cortejo.
Porque eu, porque eu? Os outros não estão passando por isso, e não são melhores que eu! Essa ira é importante, pois é carregada de energia e vigor, melhor do que a prostração e o aniquilamento. Esta energia pode ser usada para estimular a reação ou pode voltar-se contra o exterior – por exemplo, alguns aidéticos que contaminam os outros por revolta - e contra si próprio, resultando em depressão ou idéias suicidas, onde o indivíduo pode ficar imobilizado, rígido, cristalizado, bloqueando as forças que são necessárias para o prosseguimento do tratamento e da vida.
  • SUPERAÇÃO
Havendo a superação dessas etapas, o paciente pode chegar a outra fase, na qual a aceitação da idéia e da realidade do câncer o levará a mobilizar energias criadoras para rever o planejamento de sua existência. Neste plano estará incluído o combate à doença.
A angústia do ser humano com câncer é de vacuidade, insignificância e impotência.. Envolve um sentimento de inutilidade do esforço, de significado e projeto de vida. A saída desse estado envolve o retorno da esperança e da capacidade de luta, seja qual for o fim que o espere.
  • CAMINHO
Nesta curva do destino, encontram-se o paciente, seu câncer e o Psicólogo.
Comumente, quando este entra no processo, o primeiro acabou de receber o diagnóstico e está sofrendo todo o abalo desta notícia. Ele foi colhido por uma doença que assusta. Câncer significa morte, e o paciente está diante de suas limitações, do desconhecido, de sua transitoriedade, de sua morte.
Está com muito medo.
O psicólogo irá dividir este caminho com o paciente. Será uma estrada árdua, para a qual confluirão muitas veredas : os conflitos familiares , a expectativa dos exames complementares, o efeito colateral das quimioterapias e radioterapias, a ocorrência de metástases, a implicação da doença nos campos profissional, afetivo e financeiro, etc.
Muitas vezes esse caminho estará inundado por sentimentos inconscientes de perda, luto, abandono, raiva, culpa, solidão. A estrada está cheia de passado, além das perdas presentes.
  • PSICOONCOLOGIA
A necessidade do psicólogo no campo da oncologia tem aumentado com o aumento da sobrevivência dos pacientes por um largo período. Poderá trazer benefícios diversos, como:
- melhorar a aceitação da conduta médica, do diagnóstico e do tratamento
proposto
- melhorar a qualidade de vida do paciente
- reduzir a angústia e a depressão
- reduzir a negação, a falta de esperança, o medo e ansiedade com os
tratamentos
- ajudar a esclarecer as percepções e informações distorcidas
- reduzir as tensões do pré e pós-operatório
- ajudar o paciente a desenvolver novas metas de vida realísticas
- reduzir a tensão familiar
É sabido que altos níveis de angústia retardam a recuperação e aceleram o curso da doença. As energias precisam ser redirecionadas, da autodestruição para a auto-ajuda .
Para desempenhar essas funções, duas dimensões são necessárias ao psicólogo:
- teórica e técnica
- humana
Muitas vezes estas duas dimensões existem juntas, outras não. O teórico-técnico, mas sem condição humana, poderá agir friamente, sem reconhecer a condição humana do paciente. Ou, sentindo-se onipotente, disseminará impotência.
O profissional que tiver apenas o lado humano forte e pouco conhecimento será um bom amigo, sofrerá com o paciente, mas não conseguirá ir além do lugar comum. Os resultados serão pobres, em ambos os casos.
  • A FAMÍLIA
O paciente e a família estabelecem jogos. Um deles, referente à negação, é o jogo do silêncio que, enquanto dura, os medos internos de cada um estarão fazendo o seu trabalho de exagerar e paralisar. Ou o jogo da culpa inconsciente, que leva à superproteção ou à rejeição.
Um portador de câncer não falava da doença com sua esposa e filhos. Ia, contudo, chorar na casa do porteiro do edifício que morava. E todos da família sabiam desse comportamento, sem nada fazerem a respeito além de emudecerem também.
Outra paciente, portadora de um tipo raro e devastador de câncer, recusava-se a abandonar seus padrões desajustados de relacionamento familiar e de ritmo estressante de trabalho, padrões esses que se retroalimentavam e que, por sua vez, aumentavam a sua doença.
O psicólogo poderá esclarecer estes jogos e facilitar a boa comunicação entre o paciente e sua família.
  • A EQUIPE
O paciente transfere para a equipe, principalmente para o seu médico, os sentimentos inconscientes de busca de proteção. Cada membro poderá ser visto como uma figura do passado, que o ajudou ou rejeitou. Poderá desenvolver idéias altamente distorcidas, graças a essas transferências. E poderá também acentuar em muito a busca de atendimento médico.
Uma boa comunicação entre o psicólogo e o médico permite ao psicólogo saber a real extensão e severidade da doença de cada paciente e, ao médico, saber o quanto condições psicológicas adversas podem prejudicar o tratamento.
A equipe precisará ser coesa e transmitir uma idéia uniforme para que o paciente se situe, sem contradições.O psicólogo ajudará a passar para o paciente a noção de unidade da equipe e a sua meta, que é o melhor atendimento possível.
  • FIM DA ESTRADA
O indivíduo não pode sair da crise sem vivenciá-la. Após a crise, a pedra já foi lapidada, não é mais uma estranha, é uma extensão do próprio indivíduo, fará parte da sua caminhada.E será possível colocá-la nas costas e seguir o seu caminho.
Morre o velho e nasce o novo, mesmo que este morrer seja apenas simbólico.
Morre o velho para nascer o novo. É a noção de renúncia, de negociar com a existência. É a inclusão do novo, enquanto criação.
Um ego forte para morrer através da perda é um ego forte para viver. O movimento é uma espiral em ascendência. É o movimento da vida.
Disse Hipócrates: “O ponto de partida é o desejo do paciente".
Se conseguirmos ajudá-lo a reencontrar este desejo, ele próprio traçará e definirá o fim desse percurso. 


Fonte:Estudos Psicoterápicos Psicooncologia

DICAS PARA SER FELIZ!!



Muitas situações estressantes acabam com nosso bom humor, mas a forma como encaramos nossos problemas determinam nossa vida. Se buscarmos nos conhecer melhor –desde nossas capacidades, até os nossos sentimentos -, se aprendermos a trabalhar com nossas emoções e canalizarmos nossas energias para coisas que nos trazem satisfação, encontramos motivação/ capacidade para agir, para buscar soluções cada vez mais positivas para evitarmos aquilo que nos faz mal. Algumas dicas para se viver feliz:
* Cuidado com os mal humorados. Mas seja compreensivo! Escute, dê umas dicas e depois... fuja, antes de se contaminar. Muitas vezes, porém, o problema do seu amigo baixo astral é algum tipo de dor e, com dor, não há bom humor que resista. Pergunte se está tudo bem, tente ajudar, mas tenha consciência que o problema não é seu.
*  Perdoe. Se você tem uma rixa com alguém, a pessoa lhe pede perdão e você está apto a perdoa-la, aproveite a oportunidade. O perdão, quando é verdadeiro, é saudável. Agora, se o perdão não supera o ódio, espere, analise a situação e pense no que deve fazer.
*  Veja o lado bom da situação! Não precisa bancar a Pollyana, fazendo o jogo do contente, achando o mundo lindo. Seja realista, tire alguma lição boa da situação, mesmo quando ela for incômoda.
*  Extermine o estresse! Use técnicas de relaxamento e mentalize coisas boas.
*  Faça coisas que você goste e que lhe dê prazer, fugindo da rotina. Seja canto ou dança, quando uma atividade é prazerosa, libera a endorfina, que lhe dá uma sensação de bem-estar.
*  Não acumule cansaço, deixando para descansar só nas férias ou no final de semana. Planeje e cumpra seus compromissos, sem esquecer da sua saúde.
*  Faça uma atividade física. Os exercícios físicos liberam substâncias que causa bem-estar no organismo. Porém, escolha uma atividade prazerosa, senão não sentirá o benefício.
*  Tenha um bom suporte social: amigos, parentes e colegas de trabalho. É uma forma de prevenção da depressão.
*  O sexo, aliado ao prazer e a uma vida afetiva saudável, faz bem para a saúde.

    * Acredite em você: não pense que as pessoas ao te criticarem querem te derrubar, e mesmo que queiram vai de você cair ou não.
    * Viva o presente: não planeje muitas coisas para daqui alguns anos, viva o hoje, viva o agora. Amanhã faz parte do futuro e é um outro dia.
    *Valorize bons pensamentos: nada de ser negativo valorize e cultive os bons pensamentos, as coisas boas da vida.
    *Não fale mal de outros: isso acaba com a sua autoimagem, as pessoas começam a se afastar e as conseqüências são inimizades e solidão.
   * Fique contente pelo outro: isso é um exemplo para outras pessoas, quando se fica contente pela conquista de outrem, você acaba sendo menos egoísta, e assim você descobre que a felicidade está nas pequenas coisas.
   * Serenidade mental: esteja em paz consigo mesma, não adianta ficar em paz com outras pessoas se dentro de você algo não está bem, mas também não seja perfeccionista, erros acontecem.
   *Perdoe (a si e aos outros): perdoar está entre as ações mais benevolentes do mundo, permita-se perdoar erros seus, e de outros também, entenda que as vezes erramos por tentar acertar.
   * Avalie o seu dia antes de dormir: veja se ele foi produtivo, veja se fez alguém feliz, se fez bem a alguma pessoa. Ganhar dinheiro nem sempre é tudo na vida.
  * Viva em paz com outrem: com família, amigos, vizinhos, enfim, esteja em paz, procure sempre estar perto, junto.



 ***E seja muitooo feliz!!!!***

REMÉDIOS NATURAIS PARA DEPRESSÃO


A depressão é algo que afeta a todos nós em algum momento de nossas vidas. Podemos "sentir-nos triste" ou sentir-nos frustrados e / ou preocupados e ansiosos por alguma a situação e se esconder da família e dos amigos. Há também alguns que caem em depressão clínica e procura ajuda de um médico. Este artigo não pretende dar conselho médico, recomendo ir a um médico com urgência se houver qualquer sintomas de depressão.

Dito isto, se você sofre de episódios ocasionais de depressão leve, às vezes também chamado de "melancolia", podemos reduzir e até mesmo se livrar dos sintomas utilizando remédios naturais em vez de recorrer a medicamentos caros para tratamento ou sofrer em silêncio. Em muitos casos, a depressão é um sinal de que o organismo não está recebendo alguns dos nutrientes necessários através da alimentação.

Alguns remédios naturais para a depressão incluem: Erva de São João(
Hypericum perforatum); gingsen  e óleos vegetais e de peixes ricos em Omega 3 que pode também ser encontrado na linhaça.
Erva de São João, é conhecido por ser um dos principais remédios naturais para a depressão. É dito ser um antidepressivo eficaz, mas uma vez que é um remédio natural, seus efeitos positivos podem não ser aparentes até 4-6 semanas depois de haver começado a tomar a erva. Além disso, a erva de São João  pode influenciar no efeito de outros medicamentos que estejamos tomando, por isso você deve consultar com seu médico ou o profissional que está tratando antes de tomar esta erva.
Os suplementos de óleo de pescados com Omega 3: em algumas pessoas, os niveis baixos de os ácidos graxos omega 3 podem causar depressão. As "gorduras boas" destes ácidos graxos ajudam na transmissão da serotonina no cérebro que, por sua vez, podem ajudar a superar a depressão. Os suplementos de Omega 3 são um dos mais rápidos remédios para a depressão que pode ser encontrado.
O gingsen: pode que já nos soa como o potenciador de memória, mas também é um dos remédios naturais para a depressão. Pois melhora a circulação sanguínea também pode levar a um melhor funcionamento cerebral e uma melhor regulação no cérebro de serotonina, conhecido como o "hormônio da felicidade".
Com um pouco de sorte, estes remédios naturais nos proporcionarão certo alívio para estes baixos de animo. Se depois de tomá-los, continuam a sofrer de depressão, deveremos ir imediatamente a um profissional médico.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Para reconhecer mentiras

Se você acredita que quem tenta enganar alguém sua frio e evita o olhar do interlocutor, surpreenda-se: esses estereótipos raramente são verdadeiros

 por Marc-André Reinhard


Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Existem sinais claros que indicam uma mentira, algo que possa ser comparado à tão conhecida metáfora ao nariz do Pinóquio que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade? Infelizmente não. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que podiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais – como coçar a cabeça com frequência; movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas. No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella M. DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, garante que normalmente não é isso que acontece. Em 2003 ela já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre os sintomas físicos que acompanham mentiras. Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros; em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.

Na verdade, para a maioria das pessoas é realmente muito difícil discernir se uma declaração é verdadeira ou falsa. Foi a essa conclusão a que chegaram Bella e seu colega Charles F. Bond, da Universidade Cristã do Texas, em 2006, em, outro estudo sobre o tema. Para tanto, os dois pesquisadores resumiram os resultados de 206 estudos sobre a cota de acertos em julgamentos sobre credibilidade. No total, apenas 54 desses julgamentos sobre a veracidade ou não de uma declaração estavam corretos, um valor estatisticamente pouco significativo – que talvez pudesse ter sido atingido também por meio de pura adivinhação. Mas convém levar em conta que, na média, os sujeitos reconheceram mais frequentemente afirmações verdadeiras do que mentiras. No entanto, há estratégias com as quais as enganações podem ser descobertas com alguma margem de segurança.

Tomando por base os estudos levantados por Bond e Bella, pesquisadores da mesma equipe compararam diversos canais sensoriais. Ao analisar os resultados dos exames, os estudiosos chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam mais a reconhecer engodos que visuais: nos experimentos, os sujeitos podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.
Se os participantes assistiam a um vídeo sem som, a cota de acertos eram apenas aqueles 50%, obtidos também por adivinhação. Mas se durante a exibição das imagens eram apresentadas as vozes correspondentes, a cota de acerto de seus julgamentos aumentava para 54%. Mais uma vez, nada assombroso, mas de qualquer forma, havia uma alteração estatística. O que de fato surpreendeu os pesquisadores foi que o resultado não foi pior quando somente o som foi apresentado sem imagem. Ou seja: quem se concentra apenas no comportamento não verbal do outro reduz suas chances de desmascarar um mentiroso. Aparentemente, nossos olhos se deixam enganar mais facilmente e, no final das contas, contribuem pouco para a descoberta de afirmações falsas.

Por isso, vale a pena prestar atenção principalmente no que uma pessoa diz, ficando alerta, por exemplo, para possíveis contradições. Especialistas afirmam que os mentirosos contumazes são, em geral, pouco plausíveis e lógicos. Além disso, raramente admitem que tenham de corrigir sua descrição ou que não consigam se lembrar de algo – para “encobrir os brancos da memória” eles simplesmente inventam informações. Se a pessoa ainda parece nervosa e fala em tom mais alto do que o de costume, então devemos ter cuidado: ela tem grandes possibilidades de estar mentido. Os estudos avaliados por Bond e Bella também revelaram que vários participantes conseguiram reconhecer as declarações falsas de forma mais clara quando o mentiroso foi pego de surpresa e não teve tempo de planejar o que diria. Por isso, cobrar explicações imediatas pode desmascarar um potencial discípulo do Barão de Münchhausen.

Na opinião do psicólogo Aldert Vrij, pesquisador da Universidade Britânica de Portsmouth, uma boa estratégia é fazer a pessoa da qual desconfiamos que esteja mentindo falar o máximo possível. Nesse momento ela precisa pensar rapidamente e corre o risco de contradizer-se. E quanto mais ela falar, mais difícil será para ela controlar tanto o conteúdo do que diz quanto o próprio comportamento. Portanto, pedir para que repita trechos do que foi dito também costuma ser eficaz para detectar brechas nos discursos. “Essa técnica de interrogatório, muito conhecida de romances e filmes policiais, revela-se, de fato, sensata”, observa Vrij.
No entanto, os defensores da lei não são fundamentalmente melhores em detectar mentirosos. Juízes e psiquiatras, aos quais é comum atribuirmos, intuitivamente, uma capacidade de detecção de mentiras acima da média, tampouco obtiveram melhores cotas de acerto nos testes, segundo Bond e Bella. Da mesma forma, não há diferença entre homens
e mulheres, descobriu o psicólogo Mike Aamodt da Universidade Radford, estado da Virgínia, Estados Unidos, ao realizar outra análise, em 2006. Além disso, a idade e o grau de instrução de uma pessoa pouco influenciam sua capacidade como detector humano de mentiras.

VANTAGEM DA INSEGURANÇA
Junto com o psicólogo Patrick Müller, da Universidade de Utrecht, na Holanda, investiguei em 2008 outra hipótese, elaborada com base em pesquisas antigas: como a insegurança emocional leva as pessoas a ficar mais atentas ao outro e a prestar mais atenção ao conteúdo de suas afirmações, ela poderia ajudar a diferenciar mentiras e verdades. Com a ajuda de um questionário, inicialmente registramos o grau de insegurança emocional individual de 600 voluntários. Em seguida, cada um assistiu a um vídeo com oito relatos de pessoas que descreviam como tinha sido para elas enfrentar a prova para obtenção da habilitação como motorista. Mas havia um porém: apenas a metade dos relatos era verdadeira, as outras pessoas ainda não tinham carteira de habilitação nem vivido a experiência de passar pela prova.

Realmente, quanto mais inseguros emocionalmente os participantes se sentiam, melhor puderam reconhecer os falsos relatos. A fim de demonstrar que a insegurança era mesmo o motivo dessa capacidade, e não apenas um efeito colateral, realizamos um segundo experimento, no qual elevamos a insegurança artificialmente. Para isso, pedimos a uma parte dos sujeitos de nossa pesquisa que respondesse a duas questões: “Você é acometido de que emoções quando pensa em assistir televisão? Como você se sente fisicamente quando assiste à televisão?”. Essas perguntas não têm nenhuma relação com insegurança e, portanto, não poderiam influenciá-los. O verdadeiro grupo-teste foi objetivamente manipulado: “Você é acometido por quais emoções quando se sente inseguro? Como você se sente fisicamente quanto está inseguro?”. Um questionário aplicado em seguida aos participantes do experimento comprovava: depois de responder a essas duas perguntas – que evocavam determinadas emoções –, os sujeitos se sentiam, em geral, mais inseguros que os membros do grupo de controle.
Em seguida, todos os participantes assistiram a duas sequências de vídeo, nas quais as pessoas falavam sobre filmes que apreciavam muito ou que não gostaram nem um pouco. Os sujeitos do grupo manipulado – ou seja, os que estavam mais inseguros – diferenciaram melhor entre relatos verdadeiros e falsos: eles classificaram corretamente, em média, 58% dos depoimentos. Os integrantes do grupo de controle, por sua vez, tiveram uma cota de acerto de apenas 50% – mais uma vez idêntica à esperada ao acaso.

Portanto, convém evitar o excesso de confiança quando tentar desmascarar um mentiroso. Afinal, não é novidade que quem acredita já saber uma resposta procura apenas por indícios que a comprovem – independentemente de sua veracidade. E, por fim: se tiver de admitir que foi enganado por alguém, não fique muito chateado. Talvez seja um consolo saber que outras pessoas também passam por isso, como mostrou outro estudo publicado pelos psicólogos Bond e DePaulo em 2008. Segundo eles, os indivíduos pouco se diferenciam em sua habilidade de reconhecer invencionices – a maioria de nós é um verdadeiro fracasso como detector de mentira. Já a amplitude da capacidade individual de contar inverdades é maior, de forma inversamente proporcional. O espectro vai do perfeito enganador até o Pinóquio humano, no qual se percebe uma mentira mesmo a 10 metros de distância. Conclusão: para desmascarar alguém, dependemos menos de nossa própria capacidade – e quase exclusivamente da habilidade do outro de esconder a verdade.

Marc-André Reinhard é doutor em psicologia social e pesquisador da Universidade de Mannheim, na Alemanha.

Mulheres no corpo da psicanálise





Hesíodo em sua Teogonia, pai de um grande número de mitos, foi aparentemente o primeiro a falar de uma "raça das mulheres" - gynaikon-antígenos, caracterizado por um terrível mal, desde o momento da criação de Pandora e também de um tipo diferente da humanidade feita apenas por homens. Para essas concepções nada agradável do universo feminino, outros seguiram: na literatura grega, havia uma conversa de mulheres em termos de ikelon (semelhança) de ídolos (armadilha) e Pema (peste). Trabalhando neste tema encontrei outras referências de Yvone Knibiehler1. Esta autora observou que o Homo sapiens que viveu na Europa no Paleolítico Superior produziu um grande número de estatuetas representando mulheres com seios grandes, barrigas protuberantes e, muitas vezes sem membros e até mesmo a cabeça. Embora até agora não foi capaz de interpretar essas criações, os comentaristas militantes, quiseram ver nelas a origem do culto à Grande Mãe, figura arquetípica, antes de qualquer divindade, o que levou a que as feministas encontram aqui uma prova da preeminência inicial do feminino, e anti-feminista a responder que a mãe é a essência da mulher. Estas perspectivas em certo modo antagônicas me resultaram interessantes por certos pontos de contacto com as distintas concepções de Freud e Lacan sobre o enigma da mulher, como veremos na continuação.



Como você sabe, dentro da psicanálise a mulher ocupa o centro de uma pergunta que fez história e há gerado profundos efeitos sobre o legado de Freud. Nasceu durante uma sessão de análise com Marie Bonaparte com o mestre vienense. Freud le disse: "A grande pergunta que nunca recebe resposta e eu não estou capacitado para responder, depois de meus trinta anos de estudos sobre a alma feminina, é o que deseja uma mulher? ''. Para Freud o enigma da mulher sempre oscilou entre o sagrado, o divino e o irrepresentável. E apesar de jamais ter separado de sua afirmação, sobre a apenada menina de Édipo: "Ela o viu, ela quer isso", referiu-se à psique feminina como algo insondável, como um "continente negro" até chegar formular para o fim de sua vida a sua famosa pergunta "Was will das Weib?".



O que é uma mulher para Freud? Aqui se faz necessário partir de uma proposição psicanalítica básica em torno da diferença sexual. Ao remeter nos à obra de Freud, encontramos que uma parte central de sua doutrina se baseia na afirmação de que a anatomia por si só não determina a identidade sexual, do mesmo modo, que a diferença sexual não pode ser reduzida ao natural. Para Freud o que produz a diferença sexual é o significado atribuído à diferença anatômica dos órgãos masculinos e femininos. Conseqüentemente, de acordo com Freud homens sofrem de "ansiedade de castração" e as mulheres em seu "Penisneid" (inveja do pênis).Freud propõe aqui três métodos ou soluções que se abrem para a menina antes do descobrimento de sua falta fálica: a renuncia, a masculinidade ou a feminidade. É necessário ressaltar que no terceiro caso, designado por Freud como a evolução normal, o sujeito não renuncia o ter fálico como o primeiro. Para colocar de outra forma, Segundo Freud a feminidade das mulheres decorre de seu "ser castrado": é mulher aquela cuja falta fálica a incita a dirigir-se até o amor de um homem. Desta forma, a menina só se torna mulher se ao invés de propor - se - como segundo caso- auto procurar- se um substituto fálico, na espera de homem, aguarda o falo - ou seja, o pênis simbolizado - o que faz, especialmente sob a forma de uma criança. Daí, não é de estranhar que grande parte das pesquisas de Freud colocou ênfase nos suplementos que a mulher pode encontrar, ou inventar, para cobrir este menos fundamental com o que o sujeito se relaciona. Nem é surpreendente que a tese de Freud se afirme categoricamente toda a sua obra, e vá mais longe: não só destina a mulher a ser mãe de seu filho, mas também ser uma mãe para o marido: "O casamento em si não é garantido até que a mulher consiga fazer de seu marido seu filho a agir com ele como uma mãe. "


A princípio, uma pergunta se impõe. Transformar-se em mãe é a solução para a posição feminina? Sem dúvida, responder a questão do desejo sexual da mulher com a progenitora é muito paradoxo. Certamente, o filho, para uma mulher é um precioso 'objeto' , mas pertence à dialética fálica de ter o que não lhe é próprio e só raramente satura o desejo, de ser propriamente feminino. A criança pode relatar uma quota de gozo, e fazer calar a exigência feminina, como se vê nos casos em que a maternidade modifica radicalmente a posição erótica da mãe; pode obstruir em parte a falta fálica na mulher, mas não é a causa do desejo feminino que entra em jogo no corpo a corpo. E as vezes, um homem só pode exercer a função paterna se não o toma como "toda mãe", se não que a divide. Uma mulher dividida e a que não toma o filho como o obturador de sua falta, mas que propicia sua saída exogâmica da vida. Em outras palavras. O desejo feminino, como tal, retorna para a mãe ausente, na medida em que és mulher, uma mãe não está toda para seu filho.Pode-se dizer que quando uma mulher quer um filho não só quer o falo que o pai não lhe deu, o amor de uma mãe não é redutível ao desejo de um falo, mas a menos que haja algo de que funda o amor; é uma declaração de ser que se queira ser, como dizia Heidegger; é uma afirmação da vida.



Mas, a época conhece outros meios. Hoje a saída através de maternidade tal como a concebia Freud tem sido questionada com toda legitimidade. Em outras palavras, a restituição fálica não encontra necessariamente na maternidade uma saída. Não é raro em nossos tempos a mulher responda a questões sexuais causando uma divisão da sua vida amorosa, o que as aproxima da degradação da vida amorosa que Freud diagnosticou como condição exclusiva nos homens, ou seja, aquela bipartição entre o amor e o prazer que parece ter empurrado algum tipo de infidelidade estrutural, o que constitui então o problema masculino nos términos de: como poderia conviver um homem com uma só mulher, como escolher a uma e colocá-lo no lugar da causa de seu desejo. Neste ponto, do desdobramento entre o objeto de amor e o objeto do desejo, se faz necessário destacar que a evolução dos costumes contemporâneos faz aparecer novos fenômenos. Soler corretamente observa que, uma vez liberadas da única escolha de casamento, muitas mulheres amam por um lado, e deseja ou desfrutam pelo outro. Obviamente, ao escapar da instituição de um laço exclusivo e definitivo, os vários parceiros de uma mulher está de um lado ou de outro: do lado do corpo que satisfaz o gozo sexual, ou o lado do amor, e a convergência sobre o mesmo objeto se realiza com uma configuração entre outras.


Pelo exposto anteriormente, a mulher freudiana é definida exclusivamente pelos caminhos de sua aliança com o homem, no entanto Freud concebe uma só variante do desejo então, a de tê - la - baixa a forma de ter o amor de um homem ou um menino. Nestas considerações os pontos de partida de Freud e Lacan diferem. Ao traçar os contornos de uma teoria não imaginaria, não naturalizada da diferença sexual, Lacan consegue esclarecer a tese freudiana. Tanto é assim que quando aborda a temática de Édipo, a faz já não de uma perspectiva mitológica, mas a partir de sua teoria do significante, a que ao articular o complexo de castração inconsciente com sua evolução sobre a metáfora paterna, ficam reguladas as três orientações freudiana por uma mesma razão, pela razão do falo, um significante como tal, tem um lugar no discurso do Outro, sempre transindividual. O falo, significante da falta, presta-se a representar, também da diferença sexual, a falta em ser que a linguagem gera para cada sujeito.Para Lacan a diferença, não é apenas sexual anatômico, mas que refere-se dos diferentes posicionamentos sobre o amor, o desejo e o gozo, seja dos que se dizem homens como das que se dizem mulheres.
As relações entre os sexos giraram assim "ao arredor de um ser e de um ter, o falo."ser o falo" - expressão desconhecida no pensamento freudiano - é o que designa a mulher no entanto que na relação sexualizada, ela é chamada ao lugar do objeto. Nas palavras de Lacan: "Um não é o que tem, em outras palavras, no entanto o homem tem o órgão fálico não o es, implica que do outro lado um es o que não tem, é dizer, que é precisamente em ambos não tem falo que a mulher pode ter esse valor. Isso significa que ela não é objeto mas que a condição de encarnar para o parceiro a significação da castração e de apresentar sob o sinal de menos, é por isso que Lacan lhe dá especial importância para o texto de Leon Bloy "A mulher pobre." Disto se desprende também que a mesma expressão lacaniana de ser o falo implica certo desprezo enquanto ao ter outro macho. Implica certo sacrifício das propriedades,da ambição de ter. Seguindo a Soler "tudo o que pertence ao desejo de adquirir, de apropriar-se, vale pra o homem no entanto metonímia de seu ter fálico. O desejo estaria liminar para as mulheres, trata-se da riqueza, do poder,da influência, do sucesso, enfim, de todas as buscas chamadas fálicas da vida cotidiana.




Em seu discurso de "Televisão" Lacan afirma algo mais contundente: "não há limites para as concessões que cada um faz para um homem: de seu corpo, de sua alma, de seus bens" e ilustra em extremo com o sacrifício realizado por Medéia que matou seus próprios filhos para vingar-se de Jason, seu amante, que tinha se separado dela. A trama de Medea, sem dúvida, representa um abismo de horror e angústia colocando-nos na presença de uma mãe que comete uma ação filicídio quando a cultura exalta o amor maternal. Supõe-se que a mãe deve estar disposta a suportar qualquer coisa por seus filhos. Nega e destrói sua própria natureza. Avaliação legítima, certamente, se consideramos quanto sacrifício e tempo de sua vida, quanto dom do seu desejo deve operar para que seu filho pode criar-se. Mas Lacan demonstra com o ato de Medea (dividida entre a mãe ou a mulher) sua escolha de a mulher - enfrentando o vazio, a loucura da falta - um desprezo da mãe - a que previlegiaria em ter seus filhos como bem mais precioso. destacamos aqui uma citação de Medea: "Vou matá-los com a minha mão porque lhes tenho dado o ser." O que podemos aprender nesta frase? Novamente, nos encontramos com que no amor de uma mãe não pode reconhecer a extensão da falta que a leva a ter uma criança. A mulher, como Lacan ensinou, não se escreve na ordem fálica. Para Lacan, o ato de Medea é o sacrifício de que não tem mais precioso para abrir no homem um buraco que não se pode preencher. Mas o que significa esta divisão das mulheres? Por um lado, sua relação estrutural com o buraco mesmo do sexo, com a falta de identidade sexuada, o que sinaliza sua proximidade com o vácuo. Neste sentido, pode-se dizer que - a diferença dos homens - as mulheres possuem uma relação muito mais direta com o Real. É a partir desta relação mais essencial, mais próxima das mulheres com o nada, que se abrem as portas do que denomina-se em termos de Miller - uma "clínica feminina"



Apesar de um registro, talvez mais parecido com a teoria freudiana do ter fálico, se poderiam evocar vários fatos clínicos precisos ao nível do dizer das mulheres. (Como o fantasma da injustiça fundamental que pode advertir -se tanto na denúncia feminina, especialmente aquela grande queixa da filha frente a sua mãe, a quem a critica por não ter transmitido nenhum saber - fazer são a feminilidade, ou bem os protestos tão frequentes contra a sujeição ao Outro, seu sonho de autonomia, que es então, só a contrapartida ego de alienação que resultante da sua aplicação),existem no entanto, outros registros clínicos muito atual que demonstram de maneira mais enfática o lado de ser, portanto, não consistem em preencher a falta mas detecta-la melhor, podemos colocar aqui certos testemunhos de uma dor psíquica ligada a uma afeto de não ser, de ser nada, com momentos de ausência de si mesmo, que promove toda uma clinica da falta de identidade, a que nas mulheres uma intensidade em nada comparável com com o que pode ser encontrado nos homens, já a que se lhe acrescenta uma falta de coerência, observável através das alegações de um sentido de fragmentação corporal, que muitas vezes é acompanhado com muita falta de controle, esse efeito segundo o qual se sente que se escapa o domínio do corpo. Em uma linha similar de considerações se escrevem o carácter irracional concedido as mulheres, seu modo de entrega original, sua especial sensibilidade, a entrega irrestrita de uma mulher para um homem, sua coragem ilimitada e uma relação particular com o respeito a que com Freud conhecemos como sublimação que as distingue do universo masculino


Em Um e o universo Ernesto Sabato disse: "Haverá sempre um homem que, ainda que sua casa caia, estará preocupado com o Universo. Haverá sempre uma mulher que, ainda que o universo entre em colapso, estará preocupada com sua casa." De acordo com esta afirmação, Freud tampouco duvidou em caracterizar as mulheres como posicionando-se,- comparativamente aos homens,- com certa distância ou desafeição em torno das criações das civilizações. À primeira vista, esta afirmação parecia estranhar certas conotações depreciativas, no entanto, ao avançar na leitura do texto freudiano, notamos que a suposta desqualificação não só cai dissipada mas também que tomam outra sentido. Nas palavras de Miller:


"Os grandes interesses da humanidade, a que Freud subscrevia em certos aspectos e cujo desconforto crescente para o sujeito denunciava, encontram suas raízes em uma fuga, uma defesa em relação a essa forma inicial de amor. Pois
, como declarou, no final resulta muito chata essa dependência com respeito a um objeto de amor,a um objeto sexual, a um objeto erótico particular - com relação a isso.

É por isso que os homens, especialmente o macho, se lança à filantropia: é mais fácil amar a todo o mundo, que amar a uma só.
É o que sabemos dos estragos produzidos em uma família pela filantropia paterna, seja religiosa, sindical, médica,-não lhe escapa a vara que tudo e todos têm precedência a mulher que está ao seu lado. Freud diz gentilmente que depois todo o amor universal é uma injustiça para com o objeto erótico, e que nem todos os homens, e não toda a humanidade merece o amor.


O homem - como aponta Zizek - subordina sua relação com uma mulher no campo dos objetivos éticos (forçado a escolher entre uma mulher e um dever ético - na forma de obrigações profissionais, etc - Imediatamente opta pelo dever), sem embaraço , é ao mesmo tempo consciente de que só uma relação com uma mulher pode proporcionar-le a felicidade. Sua "aposta" é que a mulher será seduzida mais eficazmente precisamente quando ele não subordinar toda sua atividade a ela; o que ela seria incapaz de resistir é a fascinação pela atividade "pública" dele, ou seja, sua consciência secreta de que ele está fazendo na realidade por ela. Se trataria aqui da economia libidinal invertida do amor cortês. No amor cortês, o homem se consagra diretamente para a dama, levanta o seu serviço a ela como seu dever supremo, e por esta razão a mulher é fria, indiferente, caprichosa, em termos de Lacan: uma "companheira desumana" com a qual uma relação sexual não é possível nem desejável. Este paradoxo surge em quase todos os melodramas que interprete a disposição do homem de sacrificar a sua amada pela causa pública, como prova de seu amor por ela, ou seja, que ela é tudo para ele. O momento sublime de reconhecimento se produz quando a mulher finalmente percebe que o homem a tem deixado em nome de seu amor por ela.

No entanto, ao retomar as considerações freudianas em torno de sublimação e do universo feminino, podemos colocar outras nuances que nossa época se encarrega de mostrar. É por todos conhecido o feito de que as mulheres trabalham hoje ao lado dos homens. A posse legítima por parte das mulheres dos setores ligados tradicionalmente com a esfera pública - pertencente por tradição ao exercício dos homens - há introduzido consideráveis nuances na briga ​​entre os sexos. Estas nuances contemporâneas podem serem vistas especialmente na nova posição social que tem acessado as mulheres a partir de sua inserção no mercado de trabalho, e mais especificamente no mercado de executivos profissionais. Este acontecimento pode levar aos abundantes dados clínicos como os expõem simpaticamente Sinatra - "a que a mera monstração a um homem das chaves do apartamento ou de um carro que elas possuem, podem intimidar lo. Brandindo estas chaves toma o valor de uma ameaça para a posição deste "pequeno homem" chaves que por sua vez tornam-se um novo símbolo de sua condição de "novas proprietárias" (transformado agora em emblema feminino).

Essas mudanças, típicas da época, que tem suas repercussões sobre as condutas e ideais sexuais colocam novos problemas dentro da prática psicanalítica. A sexualidade humana nunca foi tão livre. A ciência nunca avançou tanto na exploração do corpo e do cérebro. E, no entanto, nunca foi tão agudo o sofrimento psíquico, solidão, ingestão de medicamentos psicotrópicos, tédio, fadiga, medicação a cada minuto da vida. Os episódios de despersonalização ou de fragmentação corporal fazem vacilar o analista frente a um diagnóstico diferencial entre neuroses e psicoses. As dietas e a obesidade mostram com especial intensidade que o corpo feminino é, hoje, o palco privilegiado da luta de uma mulher contra si mesmo. Outras mudanças que ocorrem na atualidade tem a ver com um problema comumente atribuída aos homens, como é o caso de inibição. Há inibição apenas quando há escolha possível, até mesmo imperativo. Onde o desejo não é solicitado, onde só há impedimento, a predestinação da realização ou da decisão não se pode ser manifestar. A emancipação, que multiplica as possibilidades, que permite a mulher determinar-se em função de seus desejos, escolher ter um filho ou não, casar-se ou não, quando querem, também trabalhar ou não, faz vir a tona o fato de que o drama de inibição não é uma especialidade masculina. Mais ainda, porque por efeito do discurso, todo o que não é proibido se torna obrigatório. Então, vemos nas mulheres o mesmo distanciamento frente o ato que no homem obsessivo, as mesmas dúvidas sobre as decisões fundamentais, frente dos compromissos definitivos, e particularmente no campo do amor. O homem - no singular - e a criança, os dois desejados, mas adiado até que um melhor encontro, pertencem à clínica diária de hoje e são muitas vezes a origem de uma demanda de análise. Assim, em termos de Soler: "A extensão do universo ao conjunto das condutas sociais é acompanhada por uma homogeneização de grande parte dos sintomas." Ainda assim, convém notar que para o analista não se trata de anatematizar nem de sugerir ao paciente aderir ao todo fálico em suas várias formas (maternidade, conjuge, etc) .. O que se trata é de não ignorar a recomendação lacaniana de não perder a bússola que nos orienta para o real, de ter presente o horizonte o tempo. Não devemos lamentar as evoluções da nossa civilização. O psicanalista se abstém de criticar, só pode constatar no discurso que o determina. No momento não sabemos quais as conseqüências acarretarás as mudanças de estado da mulher contemporânea.


E quanto à questão que convocou no início deste artigo: O que quer uma mulher? Desde Lacan poderia ser respondida da seguinte forma: Um desejo muito estranho a toda pesquisa de ter. É definida como o equivalente, se não uma vontade, pelo menos um objeto de gozo. Para Lacan se trata de dar um lugar para a originalidade da posição das mulheres e ao gozo feminino vinculados a ela. Destacando que o gozo feminino se trata de um gozo específico, exceção do caráter "discreto" e limitado o gozo fálico próprio do homem. Porque, como assegura, em questão de prazer o que se sente do lado mulher ultrapassa longe, o que os homens podem sentir. Que é um prazer muito maior tem uma lógica muito simples, não é o mesmo prazer de um órgão que desfruta de todo o corpo. O tematiza em RSI e Encore como o gozo suplementário: um prazer que vai além do gozo do órgão, exclui-se as palavras. Um prazer próprio que nada é dito e do que as mulheres não explicam absolutamente nada; e que cada uma terá uma marca diferencial de acordo com sua história singular. Lacan utiliza a alegoria de Tirésias, quem depois de ter passado pelo seu lado o homem e por seu lado mulher, visitada por Zeus, diz, "onde um homem goza 1, a mulher goza 9".